Passo a Passo para Fazer o Laudo CMAR
Como fazer o Laudo CMAR sem reprovação? Guia técnico-regulatório com 12 perguntas que respondem desde o enquadramento da ocupação até os ensaios laboratoriais exigidos pela IT-10 do CBPMESP. Conteúdo de quem emite laudos há mais de 36 anos.
Materiais de Acabamento são Combustível Potencial
O Laudo CMAR não é uma formalidade documental: é o instrumento técnico que limita a propagação superficial das chamas e a geração de fumaça densa em ambientes onde dezenas, centenas ou milhares de pessoas convivem. A IT-10 do CBPMESP traduz décadas de aprendizado pós-sinistros em exigências objetivas — e este FAQ aborda o que arquitetos, gestores prediais e empresários precisam saber.
Reação ao Fogo
Classes I a V conforme NBR 9442 e NBR 8660. Cada ocupação exige uma classe mínima — usar classe inferior é reprovação certa na vistoria.
Ensaios Laboratoriais
Painel radiante, colchão, densidade ótica de fumaça. Ensaios devem ser de laboratório acreditado pelo INMETRO. Certificado vencido = laudo invalidado.
Memorial Detalhado
Cada parede, forro, piso e revestimento precisa estar identificado, com lote, classe e referência cruzada ao certificado de ensaio.
FAQ Técnico-Regulatório do Laudo CMAR
12 perguntas que respondemos diariamente — em profundidade, com base normativa.
1. O que é o Laudo CMAR e por que ele existe?+
O Laudo CMAR (Controle de Materiais de Acabamento e de Revestimento) é o documento técnico que comprova a conformidade dos materiais empregados em paredes, forros, pisos e revestimentos quanto à reação ao fogo, conforme a Instrução Técnica IT-10 do CBPMESP.
Sua existência decorre da necessidade de limitar a propagação superficial das chamas e a geração de fumaça densa em locais de reunião de público, hospitais, escolas, hotéis e demais ocupações sensíveis previstas no Decreto Estadual SP nº 63.911/2018. A maioria das vítimas em sinistros de incêndio não é afetada pelo fogo direto — é incapacitada pela fumaça e gases tóxicos que os revestimentos liberam.
2. Qual a base legal e normativa do Laudo CMAR?+
O arcabouço normativo é específico:
- Decreto Estadual SP nº 63.911/2018 — Regulamento de Segurança Contra Incêndio
- IT-10 do CBPMESP — Controle de Materiais de Acabamento e de Revestimento
- NBR 9442 — Índice de propagação superficial pelo método do painel radiante
- NBR 8660 — Ensaio do colchão (pisos)
- NBR 14525 — Densidade ótica de fumaça
- Referências a EN 13501 em produtos importados
A interpretação integrada dessas normas é determinante para o enquadramento dos materiais nas classes I, II-A, II-B, III-A, III-B, IV-A, IV-B e V.
3. Quem é obrigado a apresentar o Laudo CMAR?+
São obrigadas a apresentar o Laudo CMAR as edificações com ocupações classificadas pela IT-01 que envolvam concentração de público, alta carga de incêndio ou pessoas com mobilidade reduzida:
- Locais de reunião (grupo F) — teatros, casas noturnas, igrejas, ginásios
- Serviços de saúde (grupo H) — hospitais, clínicas, asilos
- Serviços educacionais (grupo E) — escolas, creches, universidades
- Hotéis e meios de hospedagem (grupo B)
- Indústrias com áreas de risco diferenciado
- Edificações altas independentemente da ocupação
A IT-10 estabelece os limites por classe de material e por ocupação, sendo o cumprimento condição para emissão e renovação do AVCB.
4. Quais documentos compõem o processo do Laudo CMAR?+
O Laudo CMAR exige um conjunto técnico denso:
- Memorial descritivo dos materiais empregados, ambiente por ambiente
- Planta baixa com identificação das áreas e respectivos revestimentos
- Certificados de ensaio dos fabricantes (relatórios de laboratório acreditado pelo INMETRO conforme NBR 9442 e NBR 8660)
- Fichas técnicas dos produtos com lote, fabricante e código
- ART/RRT do responsável técnico
- Declaração de execução e fotos de comprovação
Materiais sem certificado válido devem ser submetidos a ensaio específico ou substituídos antes da emissão.
5. Quais sistemas e portais são utilizados no processo?+
O Laudo CMAR é anexado ao processo de AVCB no sistema VIA-FÁCIL do CBPMESP, junto ao Projeto Técnico ou na fase de vistoria. O acesso exige:
- Certificação digital ICP-Brasil (e-CPF/e-CNPJ)
- Cadastro do responsável técnico
- Domínio dos campos da IT-10 quanto a ocupação, área protegida, classe exigida e classe atingida
- Anexos em padrão e formato corretos
Inconsistências entre laudo, memorial e execução geram exigências formais que postergam a aprovação. Cada exigência reabre análise técnica e adiciona dias ao ciclo.
6. Quais NBRs e ITs regulam o Laudo CMAR?+
O conjunto normativo é técnico e específico:
- IT-10 do CBPMESP — Controle de Materiais de Acabamento e de Revestimento
- IT-01 — Procedimentos Administrativos
- NBR 9442 — Materiais de construção — Determinação do índice de propagação superficial de chama pelo método do painel radiante
- NBR 8660 — Ensaio de reação ao fogo em pisos (colchão)
- NBR 14525 — Densidade ótica de fumaça
- NBR 13523 e NBR 11948 quando aplicáveis
- Referências cruzadas a EN 13501 em produtos importados
Cada material exige a NBR específica conforme sua função no ambiente — piso, parede, forro, cortina, mobiliário fixo.
7. Qual a validade do Laudo CMAR?+
O Laudo CMAR não possui validade autônoma — sua eficácia é vinculada ao AVCB ou CLCB da edificação, cuja periodicidade varia de 1 a 5 anos conforme a ocupação.
Qualquer alteração obriga reemissão imediata:
- Troca de revestimento ou fornecedor
- Reforma com substituição parcial de acabamentos
- Mudança de uso da edificação
- Vencimento dos certificados de ensaio dos fabricantes
Manter o laudo vinculado e atualizado é parte da gestão de risco predial — não da burocracia.
8. Quais multas e sanções aplicam-se à ausência de Laudo CMAR?+
A ausência ou inconsistência do Laudo CMAR impede a emissão do AVCB, sujeitando a edificação às sanções do art. 32 do Decreto 63.911/2018:
- Multa pecuniária proporcional à área da edificação
- Interdição cautelar e lacração
- Embargo de obras em andamento
- Comunicação ao Ministério Público em locais de reunião
- Responsabilização civil e criminal (art. 132 do Código Penal) em caso de sinistro
- Invalidação de apólices de seguro contra incêndio
Em ocupações sensíveis, materiais fora da classe exigida transformam o gestor em responsável direto por eventual tragédia.
9. Quais erros mais comuns levam à reprovação do Laudo CMAR?+
Os pontos de reprovação se repetem com nitidez:
- Uso de materiais sem certificado válido emitido por laboratório acreditado pelo INMETRO
- Classificação de classe inferior à exigida pela ocupação (ex.: classe IV-A em rota de fuga que demanda II-A)
- Divergência entre material especificado em projeto e o efetivamente instalado
- Ausência de ensaio para revestimentos têxteis, cortinas e estofados fixos
- Carpetes sem ensaio de colchão (NBR 8660)
- Pinturas e revestimentos vinílicos sem dados de densidade de fumaça (NBR 14525)
- Memorial sem identificação plena dos lotes
- Certificados de ensaio com mais de 5 anos sem revalidação
Cada divergência gera exigência formal e reabre análise.
10. Como funciona a vistoria e análise do Laudo CMAR?+
A análise ocorre em duas frentes:
- Análise documental pelo VIA-FÁCIL — pode demandar diligências e reapresentação
- Vistoria presencial — o agente fiscalizador confere amostras, lotes, fichas técnicas, presença das identificações nos rolos/embalagens e correspondência com o memorial
Áreas críticas — rotas de fuga, câmaras de escada, locais de reunião e ambientes de saúde — são auditadas com maior rigor. O fiscal pode solicitar amostra física do material para confronto com a ficha técnica. Itens fora de conformidade são lavrados em relatório com prazo exíguo para regularização ou substituição.
11. Posso eu mesmo elaborar o Laudo CMAR?+
Não. O Laudo CMAR exige responsável técnico habilitado (engenheiro ou arquiteto) com ART/RRT, conhecimento da IT-10 e capacidade de interpretar relatórios de ensaio em conformidade com NBR 9442, NBR 8660 e NBR 14525.
Os pontos críticos que sem repertório técnico levam à reprovação:
- Escolha incorreta de classe para a ocupação
- Omissão de revestimento secundário (cortinas, divisórias, painéis acústicos)
- Aceitação de certificado de laboratório não acreditado pelo INMETRO
- Confusão entre classes de pisos (NBR 8660) e classes de paredes/forros (NBR 9442)
Sem domínio técnico, o ciclo de exigências é praticamente inevitável.
12. Por que contratar uma assessoria especializada faz diferença?+
A assessoria reduz drasticamente o ciclo total ao:
- Auditar previamente os materiais especificados em projeto
- Validar certificados de ensaio antes da compra do material
- Articular fornecedores certificados para cada classe
- Redigir memorial alinhado à IT-10 e às NBRs aplicáveis
- Antecipar não conformidades antes do protocolo
- Construir linha de defesa em caso de exigência indevida
Em ocupações sensíveis, a economia em retrabalho, substituição de materiais já instalados e exposição a sanções costuma superar o custo de assessoria desde o primeiro ciclo. Mais de 36 anos atuando exclusivamente em licenciamento. Mais de 17.000 alvarás emitidos.
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